Minha viagem à Croácia foi uma das melhores surpresas que já tive. Se trata de um destino meio que desconhecido aos brasileiros, mas nem por isso, menos digno de ser visitado. Um lugar mágico, um esconderijo que ainda não foi invadido pelo turismo em massa e que deve ser descoberto aos poucos e de preferência de carro.

Como se pode ver pelo mapa a Croácia ficou com o melhor “pedaço” da antiga Iuguslávia, ou seja, a linda costa Adriática.

Saindo da Alemanha, passamos por Trieste atravessamos uma parte da Eslôvenia e finalmente chegamos a Porec na Península Ístria.

Ao longo da costa e em qualquer cidade há muitos quartos particulares para se passar a noite. Há placas de “sobe” ( quarto em croata ) ou Zimmer ( em alemão ) em qualquer lugar. É a melhor maneira de se conhecer mais a cultura da região. Nós fomos na primavera e o povo gosta muito de flores, jardins bem caprichados e muitas parreiras de uva. Muita gente fabrica o seu próprio vinho e cachaça.

Nossa primeira parada foi em Porec

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Esta cidade foi fundada pelos romanos e durante a Idade Média fazia parte da diocese de Trieste e a partir daí pertenceu a  Veneza ( 1268 a 1797 ) , ao Império Austro-Húngaro, à Itália ( 1918 ) e finalmente a partir de 1954  à Croacia.

A inflûencia italiana é realmente marcante, tudo é muito semelhante, mas é só olhar para os preços e para a falta de turistas orientais e americanos que nos faz lembrar que estamos na Croácia…

A melhor atração é andar pelo centro da Cidade Velha. A cidade em si é pequena mas muito charmosa.

Na foto abaixo a entrada da Basilica Eufrasiana (Patrimônio Histórico da Unesco desde 1997 ) com seus lindos mosaicos.

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Vista da torre da Basílica

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Nossa próxima parada foi Rovinj. Minha cidade favorita da Península Ístria. Esta cidade se localiza numa península que antigamente era  uma ilha.

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A apenas duas horas de barco de Veneza, está cidade é muito pitoresca, nada como subir até a praça central  e tomar um café curtindo a linda vista.

A cidade tem muitos cantos escondidos esperando para serem descobertos.

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Assim como Porec, Rovinj sofreu várias invasões e foi ocupada por vários povos.

Seguimos em direção à Pula. Uma cidade grande e sem o charme das duas anteriores. De certa forma uma decepção se não fosse a Arena, o sexto maior anfiteatro romano.

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Há ainda muitos resquícios do domínio romano em Pula. Há também o Arco de Sergius  construído no século I antes de Cristo.

Saímos de Pula em direção a Rijeka já saindo da península Ístria. Muitas mansões da época do Império Austro-Húngaro  lembram os anos dourados desta cidade portuária. Mas só estávamos de passagem seguindo sempre pela costa.

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Viajar de carro ao longo da costa Adriática é assim, uma surpresa atrás da outra, um vilarejo mais pitoresco que o outro…

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 Fomos dirigindo para o sul sem pressa parando em algum vilarejo para dar uma volta pelo centrinho ou simplesmente comer um peixe grelhado.

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Chegamos até Zadar, a sexta maior cidade da Croácia. Apenas um pit-stop para nossa jornada rumo ao sul.

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Sou uma defensora dos B&Bs, pensões familiares e afins. Além de ser mais em conta, é uma maneira de conhecer como os nativos vivem. E não foi diferente desta vez, Em Zadar tomamos vinho de fabricação própria com os donos da casa ( “falando” por mímica ) e até ganhamos uma garrafa de cachaça caseira.  Não é tão “impessoal” quanto um hotel e é uma lembrança a mais da viagem.

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Acima está o B&B de Zadar com direito até a mascote, o vira-lata Bingo à direita. Os donos destas “pensões” sacrificam seu próprio espaço particular para dar lugar aos turistas, nesta casa por exemplo eles moram num quarto no andar de cima e o resto faz parte da pensão.

Seguimos em direção  a  Trogir. Está cidade é patrimônio histórico da Unesco desde 1997 e  não é a toa. Seu centro histórico cercado por mulharas e torres  é bem preservado e se perder pelas inúmeras ruelas faz parte de uma de suas atrações. A localização também ajudou bastante, pois o centro fica numa  pequena   ilha, mantendo-a preservada até hoje do trânsito.

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E assim fomos seguindo viagem sempre ao longo da costa….

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Passamos por Split mas não paramos lá. Vai ficar para a próxima oportunidade. A maior atração desta cidade é o Palácio Diocleciano.

Ainda seguindo para o sul tivemos que atravessar um pedaço da Bósnia ( tem controle de passaporte, mas brasileiro não precisa de visto ). Uma faixa de no máximo 20 km que “sobraram” para os bósnios e eles aproveitam cada centímetro da costa com vários hotéis e um porto. Enfim, eles não tiveram tanta sorte como a Croácia que ficou com praticamente toda a costa adriática.

Finalmente chegamos em Dubrovnik.

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As fotos não fazem justiça à beleza desta cidade….

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Não dá para acreditar que até há alguns anos atrás esta cidade foi parcialmente destruída pela guerra. Quando se anda pelas altas muralhas em torno da cidade velha, ainda há resquícios deste passado tão recente. Mas no geral, a cidade foi reconstruída com esmero e capricho.

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Dubrovnik está aos poucos sendo descoberta pelo turismo em massa. Por ser uma cidade portuária, muitos navios fazem uma parada por ali. Há também muitos hoteis luxuosos espalhados pela cidade. Mas é claro que ainda existem as pensões particulares, entretanto pode ser difícil achar uma em alta temporada. Nós ficamos em Trsteno uma charmosa vila à beira do mar.

Eu deixaria Dubrovnik para o fim da viagem para fechar com chave de ouro este lindo país.

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Ainda que barata para os padrões europeus, Dubrovnik é uma cidade cara se comparada com o resto da Croácia. Sim, toda esta beleza tem seu preço…

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Na foto acima está a rua principal da cidade velha, Stradun com suas inúmeras lojas, restaurantes e cafés.

A fonte Onófrio vista da muralha.

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Como já mencionei anteriormente, ficamos em Trsteno, uma vila há uns 30 km norte de Dubrovnik. Apesar de pequeno, este local tem um lindo jardim botânico do século XVI, o Arboretum Trsteno.

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O jardim fica à beira do mar, no alto de um penhasco e está é a vista de lá de cima.

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Dubrovnik era o nosso destino final e no caminho de volta resolvemos conhecer os famosos Lagos Plitvice. Este parque nacional é patrimônio da Unesco desde 1979 e fica entre Zadar e a capital Zagreb, longe do litoral.

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O parque é muito bonito, composto de 16 lagos em vários níveis, daí vem as cachoeiras que ligam um lago ao outro. Há trilhas e tablados de madeira. Se tem a impressão de andar sobre as águas em alguns trechos.

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Sem contar as cores da água, tons que vão do verde esmeralda à turquesa. A flora também é bem difersificada. Definitivamente a melhor época para se visitar os lagos é no verão/primavera.

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Mesmo sendo no interior, sem nenhuma grande cidade nas redondezas , há hotéis e pensões particulares perto do parque. Nós não pernoitamos ali, seguimos viagem.

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O que nos chamou a atenção quando estávamos indo ao parque nacional foi o número de vilarejos abandonados, suas casas parcialmente destruídas, paredes marcadas com tiros e o pior de tudo ainda muito campo minado. Ao longo da estrada ( não era auto-estrada ) havia várias placas de aviso de campo minado. É nestes momentos que se percebe que este país até há  poucos anos atrás  foi massacrado por  mais uma guerra inútil.

São na verdade duas Croácias, a do litoral, cheia de belezas naturais, prontas para receber turistas e  a  do interior, que ainda não se recuperou da guerra. Muitos vilarejos estão abandonados, as pessoas na sua maioria “fugiram” para a costa ou para alguma cidade maior. Por outro lado, há alguns lugares sendo reconstruídos com a ajuda da União Européia ( a moderna auto-estrada por exemplo ).

Um bom souvenir de viagem é uma garrafa do licor Marrasquino, ou como se diz no original o Maraschino que tem sua origem na cidade de Zadar.